VINHOS NO LESTE EUROPEU

O mundo do vinho tem uma grande influência histórica dessa região, podemos dizer que graças as czares russos o champagne ganhou o grande destaque que conhecemos hoje. É também conferida a Georgia a marca de berço do vinho (por alguns especialistas), além da região acolher (nos dias atuais) as duas maiores adegas subterrâneas do mundo, situadas na mesma cidade: Cricova, na Moldavia, aliás dizem ser desse país que vinham os vinhos favoritos da Rainha Elizabeth II

fonte Google

O fato é que esses países Bulgária, Eslovênia, Georgia, Hungria, Ucrânia, Romênia, Macedônia, Croácia, República Tcheca, Eslováquia, Rússia e Moldávia assim chamados leste europeu, o são por uma uma divisão história, política, em função do bloco comunista que estava à esquerda tomando como ponto de partida a Alemanha Oriental do pós guerra. Hoje em dia alguns países até se ofendem com o título uma vez que muitos deles já são totalmente capitalistas, ficando assim uma divisão apenas como referência histórica.

Vinho: o leste europeu que já foi considerado como produtor de vinhos de baixa qualidade, passa a fazer valer sua tradição.  Trata-se de uma região com uma das mais ricas histórias na produção de vinho, uma linha do tempo que remonta mais de 9 mil anos. Essa passagem milenar vem sendo muito bem resgatada, com diversos países desse "bloco", voltando a produzir vinhos de alta qualidade com grande destaque no cenário mundial, sendo reconhecidos pelos críticos de vinho mais exigentes do planeta.

Muitos dos métodos utilizados atualmente na produção de vinho têm suas raízes na região, no entanto foi com o fim do regime comunista, que começou-se a investir em tecnologia, modernização das técnicas de produção de vinho, tudo aliado à grande aptidão em trazer os melhores sabores da bebida. São produzidos  com as uvas internacionais mas também as autóctones que nos remetem a sabores únicos, diferenciados. Pela região encontramos o tradicional afinamento (envelhecimento) em barricas de carvalho e também a retomada de métodos ancestrais, como o uso de ânforas,  para fermentar o vinho. A ideia ao usar essa técnica ancestral visa conferir o melhor de cada terroir e a tipicidade das uvas autóctones,  conferindo toda autenticidade.

Abrindo as portas desse bloco, o que podemos esperar de cada país? 

Começamos pela Georgia, pois entendemos que é o país de muita relevância, neste cenário, para o ressurgimento do "bloco Leste Europeu". 

Geórgia - Considerado o país vinícola mais antigo do mundo, os vales e encostas ao sul do Cáucaso abrigaram o cultivo de videiras e a produção de vinho neolítico por pelo menos 8.000 anos. Tendo em face esses milênios de produção de vinho, papel econômico e social proeminente até os dias atuais, o vinho e a viticultura são tratados como traços da identidade nacional da Geórgia, tanto que em 2013, a UNESCO adicionou o antigo método tradicional de vinificação georgiano usando os potes de barro Kvevri às Listas do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.

Kvevri ou Qvevri são grandes vasos de barro usados ​​para a fermentação, armazenamento e envelhecimento do vinho tradicional georgiano. Assemelhando-se a grandes ânforas em forma de ovo sem alças, elas são enterradas no subsolo ou colocadas no chão de grandes adegas. Os Kvevris variam em tamanho: os volumes variam de 20 litros a cerca de 10.000, embora o padrão seja 800 litros.

Existem cinco regiões de vinicultura, sendo a principal região Kakheti, que produz 70% dos vinhos da Geórgia. Além de Kakheti (dividida nas microrregiões de Telavi e Kvareli ) e Kartli que estão no leste do país , há a Racha-Lechkhumi e Kvemo Svaneti, no noroeste, Imereti no centro-oeste, e na áreas costeiras, Adjara (e Abkhazia). Com a grande ebulição de produção, vendas no mercado externo o país vem se modernizando e principalmente regulamentando seus assim, já reconhecem 10 regiões da Geórgia (Kakheti, Kartli, Imereti, Guria, Samegrelo, Afkhadzia, Adjara, Racha, Lechkhumi, Meskheti-Javakheti), isso também acontece porque em quase todas as regiões da Geórgia existem vinhas com diferentes composições de solo, clima, castas e técnicas de vinificação, assim fruto desse trabalho criaram chamadas DOP (Denominações de Origem Protegidas – essenciais para atender principalmente o mercado europeu) ou microzonas que são designadas para este ou aquele vinho específico. Atualmente existem 25 e tendem a crescer.

Tradicionalmente, os vinhos georgianos levam o nome da região, distrito ou vila de origem, assim tal como os vinhos regionais franceses. Os vinhos da Georgia costumam ser blends duas ou mais uvas, caso de um dos vinhos brancos mais conhecidos, Tsinandali, assemblage das uvas Rkatsiteli e Mtsvane da região de Kakheti.

A Geórgia cultiva mais de 500 variedades de uva, sendo mais de 400 autóctones, embora apenas cerca de 40 variedades são oficialmente cultivadas para viticultura comercial, incluindo as principais brancas Rkatsiteli, Mtsvane e a tinta Saperavi.

 O país produz 75% de uvas brancas e 25% de tintas em uma grande variedade de estilos e tipos desde os tranquilos até fortificados, e nos indica a maciça produção de vinhos brancos, mas também de vinhos laranja, sua grande marca.

As ânforas ou qvevri, não são apenas utensílios arqueológicos que ajudaram a comprovar a produção de vinhos no país, mas é também a prova de que o esse tipo de vinho, o Laranja, também é originário da Georgia. Graças a abundância de uvas brancas os vinhos feitos no recipiente em contato com as cascas e a mínima intervenção deram origem ao vinho que é atualmente motivo de grande procura pelo país produtor. As técnicas ancestrais revelam que os recipientes são enterrados completamente no subsolo, onde a temperatura estável e fresca tornando-se uma vantagem para a fermentação e maturação. O fato é que apesar de todo folclore apenas cerca de 1% dos vinhos são produzidos dessa forma.

É bem provável que o re-surgimento desse bloco para o mundo deve-se ao grande esforço do país em voltar ao cenário mundial como produtor e exportador de vinhos, fato comprovável por números: em 2006 haviam 86 vinícolas registradas, atualmente esse número passa de mil e cem, podendo aumentar muito já que são mais de 100 mil produtores familiares. As exportações, segundo a Forbes, passam de US$ 238 milhões, 93,4 milhões de garrafas para 53 países (porém 58% vai só para a Russia).

Enfim é uma terra de ancestralidades, são muitos que produzem o próprio vinho, pois gostam de receber bem e com vinho, assim diz a tradição: “Aos amigos vinho, aos inimigos espada!”.

A estátua de Kartlis Deda (Mãe Georgia, ou Mãe Kartvel) foi erguida no topo da colina Sololaki em 1958,
ano em que Tbilisi comemorou seu 1.500º aniversário. 

Bulgária - Poucos países têm tradição vinícola mais antiga, acredita-se que alguns vinhedos, datam dos gregos antigos, para se ter uma ideia evidências arqueológicas mostram que a chamada “Cidade dos Pássaros”, datada de 4.800 antes de Cristo, foi uma das primeiras áreas onde houve processamento de ouro no mundo. Neste mesmo sítio arqueológico foram achadas sementes de uvas, porém ainda sem comprovação de elaboração de vinhos.

Sua tradição desde então passou por muitos altos e baixos, chegou inclusive, na década de 1980, ser um dos maiores exportadores do mundo.

Sua produção atualmente se divide em cinco regiões vitivinícolas e se concentra entre as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, a Pamid (responsável por produzir um rosé muito apreciado no país), e a Mavrud, uma uva antiga da Trácia Ocidental (norte da Grécia ) que produz vinhos exuberantes, tânicos, com toques de especiarias, que respondem bem à guarda.  Há ainda a uva Rubin (criada na década de 1950, do cruzamento entre Nebbiolo e Syrah), Dimyat (uva branca mais plantada do país), Melnik, Ruen (cruzamento de Melnik e Cabernet Sauvignon), Gamza (ou Kadarka), Bouquet (cruzamento de Mavrud e Pinot Noir).

Croácia – O pequeno país que se tornou independe da Iugoslávia em 1990, vizinho da Eslovênia, seu território é composto 1.100 pequenas ilhas. O cultivo de uvas na Croácia vem de uma rica tradição vitivinícola que remonta ao século V a.C.

É um país riquíssimo em variedades de uvas, únicas, não encontradas em nenhum outro lugar do mundo, que se juntam as muitas castas internacionais para produzir vinhos excelentes graças a riqueza de sua geografia, que se adaptam perfeitamente aos microclimas locais.

São 3 regiões vinícolas principais que em sub-regiões chega a 300 áreas e denominações qualificadas que produzem mais de 250 variedades de uvas diferentes, das quais 130 são nativas. As variedades de uvas nativas croatas mais famosas são Malvasia Istriana, Graševina, Pošip, Maraština, Grk, Debit, Pušipel, Škrlet, Kraljevina, Kujundžuša, Vugava para as brancas, e Plavac Mali, Babić, Teran, Crljenak Kaštelanski, Lasina, Plavina, Dobričić, para os tintos.

Sua produção concentrada em brancos (mais de 60%), e tintos (em torno de 30%), a Croácia que ainda produz vinhos espumantes e de forma raríssima rosés. Basicamente seus vinhos são provenientes a partir de diversas castas, tanto nativas como internacionais. Vindas de outros países as uvas brancas mais famosas são Chardonnay, Rhein Riesling, Gewürztraminer, Pinot Grigio, Sauvignon Blanc, já para os tintos: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Blaufränkisch, Zweigelt, Portugieser e Syrah.

Uma curiosidade é que recentemente descobriu-se que a Primitivo (Zinfandel) é nativo da Croácia, onde é conhecido como Crljenak Kastelanški (Tribirag).
De fato o “leste europeu”, tem muita história.

Eslováquia - A outra metade da antiga Tchecoslováquia, tem sua história vinícola datada do século VII a.C. e é mais um país desse “bloco” em ascensão como região vinícola.

São seis regiões produtoras, concentrados na parte sul da Eslováquia. Seu vinho Tokaj é a grande estrela vinhos produzidos por vinícolas de médio porte e com vinhedos próprios, vem ganhando cada vez mais destaque em mercados internacionais.

O vinho branco é o mais dominante, com muitas variações e principalmente os vinhos doces, Ice Wine e o botritizado Tokaj.
Nota:O famoso vinho de sobremesa Tokaji-Aszu, tem sua produção partilhada com a Hungria, vizinho ao sul da Eslováquia - os produtores eslovacos podem produzir o famoso vinho desde que cumprindo rigorosamente as regras.

Atualmente são cerca de 50 variedades de uvas presentes nas vinhas. Desde as internacionais, Chardonnay, Pinot – Blanc, Noir, Gris, Sauvignon Blanc, Traminer, Cabernet Sauvignon e uvas brancas da Europa Central – Riesling e Rhine Riesling, Palava, Moravian Muscat, Müller-Thurgau, Irsai, Aurelius, Bouvier, Girl's Grape (Feteasca Alba), Feteasca Regala, Neuburger, Grüner Veltliner e as tintas André, Frankovka e Neronet.
As uvas Frankovka Modrá (Blaufränkish), Grüner Veltliner e Rieling (Welschriesling) cultivadas com muito sucesso ocupam a maior parte dos vinhedos.

Há ainda híbridas exclusivamente encontradas no país, como: Devín, Milia, Noria, Danúbio, Hron, Váh, Nitria, que associadas às variedades Tokaj – Furmint, Lipovina, Yellow Muscat, dão origem a vinhos excepcionais.

Eslovênia - País independente da antiga Iugoslávia em 1991, tem sua história vinculada aos Celtas, que levaram os vinhos para a região, bem antes dela se tornar parte do Império Romano, há mais de 2.500 anos.
São três regiões e cerca de 24 mil hectares de vinhedos, produzindo brancos (cerca de 70%), espumantes, tintos e “ice wines”, concentrando nas uvas Riesling, Chardonnay, Pinot Grigio (Sivi Pinot), Traminer, Pinot Noir, Malvasia Istriana e as nativas Zelén, Pinela,  Žametovka (Žametna Črnina, Modra Kavčina | com 400 anos tem a vinha mais antiga do mundo em produção), Kraljevina, Ranina, Rumeni Plavec, Vitovska Grganja, Ranfol, Klarnica. Furmint (Sipon), Ribola, Refosco.

Hungria – Sob influência dos romanos a origem dos vinhos húngaros datam século V d.C. e foi do oriente que trouxeram o seu conhecimento sobre vinificação. Consta ainda que um de seus vinhos, mais tarde conhecida como Bikavér (Sangue de Touro), foi feito com uma antiga variedade de uvas, mais um “suposto ingrediente secreto”, formando a robusta mistura de vinho tinto que fortificou os defensores de Eger em 1552. Foi também nesse período que a região de Tokaj ficou conhecida pelos vinhos de sobremesa, colhidos tardiamente para estimular a podridão nobre, o Tokaji-Aszú batizado por Luís XIV da França (1638-1715) como "Vinho dos Reis, Rei dos Vinhos".

No final da década de 1980, a Hungria tornou-se uma república democrática e priorizou a produção de vinho na região de Aszú, em Tokaj. 

O país tem 22 regiões vinícolas, com destaque para Tokaj e Eger e 223 variedades de uvas para vinho. As uvas brancas representam 70% desta área e as tintas 30%. As vinhas são plantadas com variedades típicas húngaras, nativas, bem como com variedades tradicionais e internacionais. Atualmente são 114 variedades de brancas e 45 de tintas (autorizadas na Hungria).

Existem muitas variedades locais únicas que não são cultivadas em nenhum outro lugar do mundo. Cserszegi Fűszeres, a Furmint e a Olaszrizling são as variedades brancas tradicionais mais plantadas. As tintas em comparação com as variedades brancas, tem muito menos variação na sua classificação. Kékfrankos é a variedade mais comum (também no geral), com mais de 12% dos vinhedos do país plantados, enquanto a percentagem de variedades francesas internacionais aumentou nos últimos anos e apenas dez variedades tintas mais plantadas representam quase 100% de todas as variedades plantadas.

Tokaj é a região mais famosa da Hungria, há centenas de anos está localizada no nordeste da Hungria. A região que é Património Mundial da UNESCO, tem vinhedos grand crus classificados desde 1737. É também o berço de um dos vinhos doces mais antigos do mundo, Tokaji Aszú, feito a partir de variedades locais da região: Furmint, Hárslevelű, Sárga Muskotály, Kövérszőlő, Zéta e Kabar.  
A região ainda produz outros estilos de vinho, doces e secos, especialmente os da variedade Furmint, são o grande sucesso da região além dos Aszú.

Eger é a região produtora de vinho tinto, localizada no nordeste da Hungria. Uma das regiões vinícolas mais históricas da Hungria, associado à lenda do Sangue de Touro e seu vinho tinto (blend) Egri Bikavér (Sangue de Touro). Atualmente, existem excelentes vinhos de alta qualidade provenientes de Eger. A principal uva utilizada é a Kékfrankos, que compõe o corte com outras variedades autorizadas da região, e a qualidade é assegurada por uma classificação controlada.

Outras variedades permitidas: Olaszrizling, Hárslevelű,  Leanyka, Királyleányka , Zengő, Zenit, Pinot Noir e Syrah.

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Moldávia – é um país muito pequeno (9x menor que o estado de São Paulo), situada perto do Mar Negro entre a Roménia e a Ucrânia, sua cultura vinícola conta com mais de 5.500 anos, é a região apontada como o local em que que os gregos e os romanos descobriram o vinho para depois espalhar pela Europa.

A Moldávia tem algumas marcas importantes: Cricova, cidade próxima da capital Chisinau, é considerada como o “tesouro” do país, Patrimônio Mundial da UNESCO, pois lá estão as duas maiores caves subterrâneas do mundo: Milestii Mici – que detém a maior coleção de vinho do mundo (está no Record Guiness), com 200 km de ruas e a Cricova Cellars, muito conhecida pelos seus espumantes, com 120 km de ruas. Além desse fato, a Moldávia que exporta para cerca de 70 países (92% da produção total), em 2018 foi a capital mundial do enoturismo.

É ainda o país com a maior densidade de vinhas do mundo (densidade de vinhas, ou seja, vinha plantada por km2), ocupa 4,14%, que são 140.000 ha de um total de 3.384.600 ha do território do país.

Existem 4 regiões vinícolas na República da Moldávia, com 50 variedades de uvas (10% delas autóctones) sendo 70% brancas e 30% tintas que resultam em 86% de vinhos tranquilos e 14% de espumantes. As variedades de uvas locais da Moldávia mais importantes incluem Rara Neagră e Feteasca Neagră, para os tintos e Feteasca Regală, Feteasca Albă para os brancos e as autóctones como as tintas Codrinschi, Legenda, e as brancas Alb de Onițcani, Viorica, e Riton, já para as uvas internacionais encontramos as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Cabernet Franc, Shiraz/Syrah, Pinot Noir e as brancas Chardonnay, Pinot Grigio/Gris, Riesling, Sauvignon Blanc, Aligote, Muscat Ottonel, e Traminer.

República Tcheca - Depois que a Tchecoslováquia foi dividida no início da década de 1990, a República Tcheca foi oficialmente formada. A vinificação checa começou há séculos, mais precisamente no século II d.C. Com menos de 20.000 hectares de vinhas, o país é um dos menores produtores de vinho no mundo.

Sua produção está localizada principalmente no sul da Morávia, embora algumas vinhas estejam localizadas na Boémia. A Morávia representa cerca de 96% dos vinhedos do país, razão pela qual o vinho checo é muito referido como vinho da Morávia.
A produção de uvas brancas é de cerca de 70%, e as tintas cerca de 30% (e um terço das tintas é destinado para produzir vinhos rosé). Sobre as variedades, elas centram-se a partir de castas como Grüner Veltliner, Müller Thurgau, Riesling ou uvas tintas como Blaufränkisch.  Encontramos ainda as variedades de uvas locais como a Sankt Laurent, Pálava, Aurelius, Moravian Muscat, Neronet, André, a autóctone Rubinet e as internacionais Sauvignon Blanc, Pinot Gris e Cabernet Sauvignon.

Como curiosidade apresentamos o “burčák”, um vinho tcheco (morávio) parcialmente fermentado na época da colheita (com teor alcoólico entre 1–7%), que só pode ser vendido de 1º de agosto a 30 de novembro do ano, e os vinhos de “St. Martin”, que são os primeiros vinhos da nova safra e segundo a tradição checa e só podem ser bebidos (pela primeira vez) no dia 11 de novembro, dia de São Martinho.

THE LORD OF CRIES 2021 - Dracula and Dionysus

Romênia – da terra do Drácula, a Drăgăşani, mais conhecida como Transilvânia.  Tem uma das tradições vinícolas mais antigas do mundo e a sua viticultura remonta a mais de 6.000 anos.  
Hoje, a Romênia ocupa o 5º lugar na Europa e o 10º no mundo em termos de hectares totais de vinhas plantadas, e os seus volumes de produção de vinho para a colheita de 2021 ocuparam o 6º lugar na Europa (OIV, 2022). Contudo, dos 184 mil ha plantados, cerca de metade desta área é utilizada para fins comerciais.
Sua produção de vinho é de aproximadamente 4,5 milhões de hl/ano o que a coloca como 13º maior país produtor de vinho do mundo, porém apenas 5-6% do vinho romeno é exportado, não só pelas inúmeras barreiras a se vencer para exportar, mas principalmente porque o vinho é a bebida alcoólica mais consumida no país, quase 90% é o consumo interno, atingindo a marca de 25 litros per capita, mais da metade de vinhos brancos, 30% de tintos e o restante de rosés, também por isso, mesmo que semelhante em tamanho a países produtores de vinho como Chile e Portugal, sobra pouco para que se torne mais conhecida no cenário vitivinícola mundial.

A produção de vinho da Romênia está distribuída em sete áreas vitivinícolas, todas com 37 sub-regiões e as variedades de uvas mais cultivadas na Romênia são: para vinhos brancos Fetească Albă, Fetească Regală, Riesling, Aligoté, Sauvignon, Muscat, Pinot Gris, Chardonnay, Tămâioasă Românească, Grasă de Cotnari, Galbenă de Odobești. Já as principais variedades de uvas para vinhos tintos são Merlot, Cabernet Sauvignon, Băbească Neagră, Fetească Neagră, Pinot Noir.

As uvas Feteasca são hibridas e o nome quer dizer donzela, nasce para homenagear a Rainha Mãe, Elena da Romênia, que era uma jovem quando a uva foi criada, com o nome de Fetească Regală (Donzela Real), assim as demais são donzela branca e donzela negra.

Uma curiosidade mítica: para muitos estudiosos o semideus grego Dionisio, apresentado como o deus do vinho, viveu na Romênia enquanto fugia de Hera, esposa de seu pai Zeus, completam ainda que mais precisamente viveu na Transilvânia e para alguns, Drácula e Dionisio são a mesma figura mítica.






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