segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Uma razão para celebrar

um conto de natal (inspirado no belo comercial de um supermercado alemão)

Seu João era um homem bem sucedido em sua vida, começou de baixo na farmácia de seu tio no interior, aprendeu seu oficio, tornou-se farmacêutico, fundou um pequeno laboratório, casou-se com Ana que infelizmente veio a falecer no nascimento de seu quinto filho, continuou com esmero a criação de seus filhos e fez formar todos, mas por esses mistérios da vida nenhum o sucedeu em seu laboratório, que o vendeu para curtir sua merecida aposentadoria.
Cada filho, mesmo com o bom conforto da casa dos pais, decidiu seguir seu próprio caminho e saíram para as grandes cidades. Os anos foram passando e as visitas ao pai foram rareando. Sempre justiçáveis: filhos, trabalho, viagens importantíssimas, negociações, enfim o pai tão importante para garantir a base do sucesso dos filhos era tido como homem forte e suportaria essa ausência.

No natal daquele ano um a um foi justificando sua ausência, com mensagens carinhosas de filhos e netos, seu João ficava tristonho e suas saudades aumentavam, olhava a foto da esposa e sentia o coração sozinho.
Na manhã do dia 24 de Dezembro os filhos receberam mensagens no grupo da família, em seus potentes celulares, que seu pai estava preso em sua bela adega. A mensagem enviada por um amigo de Seu João dizia que por alguma razão ele se prendeu na adega e que beberia todos os vinhos que havia guardado por toda vida.

Cada um dos filhos pensava a seu modo, o mais velho, Junior imaginava a degustação daquele Chateau Mouton Rothschild 1982 que tinha comprado com seu pai, já José o segundo as edições especiais do champagne Don Perignon, Ana Maria sentiu um aperto no coração quando lembrou dos Sauternes Chateau d’Yquem, Madalena, bom Madalena ficou arrependida de não ter bebido com seu pai a vertical de Almaviva, eram cinco safras fabulosas e David, o caçula, se preocupou com o coração do pai, e pensava se aguentaria beber as preferências de seus irmãos e ainda se fartar com as suas preferidas grapas.

Envergonhados com seus pensamentos, mas ainda assim impressionados com a atitude do pai, cada um, em silêncio, decidiu “salvar o pai”, largaram o que faziam, juntaram a família e seguiram para a bela casa do Pai.  O silêncio deixou de funcionar ao se encontrarem no aeroporto e todos juntos chegaram à casa do pai, o mais velho com as chaves reservas.

Ao abrir a porta, luzes de natal, mesa posta, um senhor sóbrio e elegante aguardava todos com seus belos vinhos e uma alegria enorme em seus olhos. Seus filhos, bem, os filhos estavam aliviados, seus vinhos preservados (risos), mas no fundo uma grande alegria em poder estar com seu pai...

Não importa quão ocupados estejamos, lembrar e partilhar com nossos entes queridos é sempre o melhor motivo para nos reunirmos. Os vinhos? São boas companhias, mas os que amamos são os melhores companheiros!


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