terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Vinhos, Preços, Mercado e Comportamento

Tenho lido há tempos os comentários e artigos publicados e realmente fico feliz em saber que muitos tem trabalhado para que os conhecimentos vençam os preconceitos que giram em torno do vinho.
Estou no mundo vinho, profissionalmente, desde 1994 e desde 2001 trabalhando com o conceito: "Descomplicando o Vinho", pois acredito que quanto mais democratizarmos, quanto mais acessos, sejam na linguagem sejam literalmente físicos, mais perto chegaremos do consumidor e mais pessoas podem ter acesso a algo que nos faz muito bem, em termos de saúde e de prazer.
Como esse ano resolvi terminar meu livro, passei a pesquisar ainda mais e tornar público cada vez mais textos e opiniões acerca desta matéria.
Bem o motivo que me traz aqui, é sobre os diversos assuntos relacionados a consumo, preço e mercado.
Concomitantemente, tivemos a informação da substituição tributária, desta nova importadora que pretende vender vinhos de qualidade a U$5 (aproximadamente), a pesquisa da Ibravin querendo saber o modo de consumo do brasileiro, bem como suas tendências, ainda no fórum do Mike li a questão psicológica dos preços altos e por último o estudo feito por Oscar Daudt as diferenças de preços dos vinhos importados no Brasil e os mesmos comercializados mo mercado americano(artigo abaixo) .
Há mais de 20 anos não passamos dos 2 litros per capita e a previsão é que em mais 20 anos conseguiríamos dobrar, se nada fosse feito.
Ora por que será que não conseguimos desenvolver o consumo de vinho no Brasil?
O Brasil é um dos paises com a maior diversidade de povos e culturas, e no caso dos vinhos um dos que tem a maior qualidade de rótulos, portanto temos vinhos de várias cores, sabores e preços. Se juntássemos só estes dados, justificamos a sede que muitos produtores tem em exportar seus vinhos para cá.
Ocorre que nosso mercado está marcado por um inicio também colonialista, explorador e quase antinacionalista. Por conta de tanta confusão não nos organizamos para aproveitar o melhor do vinho nacional (diga-se de passagem, fazendo um trabalho sensacional) e muito menos criamos mecanismos para levar o vinho as dicersas classes socias, poderiamos ter criado um programa para o vinho junto às refeições populares!!!!
Vemos ainda muitos entusiastas, ditos enófilos, esperando o momento para a reunião de sua confraria, hora para pronunciar belíssimas palavras orgaenolépticas e desvendar os tenros aromas pneumáticos e paladar profundo onde prevalecem frutas que jamais comemos. Terminada a reunião, caderno de anotação e na mesa do trabalho, colega do lado e repetição da noite anterior...- este colega desestimula-se com um mundo inatingível - Sim eu sei muito disso já é passado, mas esta elitização, só me faz pensar na corte inglesa que prefere manter distância do povo e introduz palavras e costumes franceses...(vocês conhecem a história)
Caros eno-amigos cabe sim que façamos com que mais pessoas entendam que o vinho é simples, natural e saudável, estimular o consumo em taça, o consumo diário. Cabe a nós orientar o importador, o dono do restaurante, o revendedor a praticar margens moderadas e realistas. Cabe a nós também prestigiar o bom vinho brasileiro, levar adiante os produtores de vinhos honestos e seus preços justos, colocar a mulher cada vez mais em foco, prestigiando-as em ações e convites...
Em realidade, claro que desabafo, mas com uma dose de bom humor chegaremos lá tranqüilamente.
Toda onda faz surgir muitos tipos de surfistas, esta talvez seja a hora de sabermos quem realmente é desta praia e não vai beber água.
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