terça-feira, 12 de julho de 2011

Vinhos Orgânicos e Biodinâmicos, novidade ou antiguidade?


Há menos de uma década chegou com força o conceito de alimentos orgânicos. Impulsionados por uma vida mais saudável, novos hábitos, essa alimentação veio para preencher a lacuna dos alimentos livres de agrotóxicos. 
De repente também começam a chegar os vinhos orgânicos e aí surge aquela dúvida, mas o que é isso de fato?  E uma outra questão, sempre discutida, era se os vinhos orgânicos eram menos interessantes que os feitos pelos métodos (já) tradicionais.
Quando a gente começa a se acostumar com essa ideia vem mais uma novidade: vinhos biodinâmicos, caramba! O jeito é descomplicar, então vamos entender o que são essas culturas, que diferenças têm e que benefícios nos trazem, no entanto, podemos dizer de cara, que de novo não tem nada, mas de tão antigo acabou virando  novidade.

O que são vinhos orgânicos?
De forma geral são vinhos produzidos sem uso de processo químico ou sintético, um produto simples e natural.  Dessa maneira podemos dizer que, em si, é fruto de uma agricultura que não agride o meio ambiente por não utilizar herbicidas ou pesticidas químicos para eliminar as pragas que prejudicam a vinha e nem adubos químicos, já que eles são absorvidos pela raiz e podem contaminar a planta. Nesses vinhedos, também chamados  ecológicos, usam-se artifícios naturais como vespas para combater aranhas que poderiam vir a perfurar uvas, ou aveia plantada entre as fileiras do vinhedo para fertilizá-lo e outras soluções criativas, como aconteceu na Itália onde um produtor (do prosecco 7Nardi) conseguiu trazer um pássaro chamado papa-figo que combate a presença de outras pragas, também de forma natural.
Com certeza esse tipo de agricultura exige muito trabalho dos produtores, mas seus incríveis benefícios, a longo prazo, compensam principalmente por trazer esse equilíbrio da natureza além do natural benéfico à saúde humana.
Os vinhos, e os produtos orgânicos são certificados por órgão de reconhecimento e exibem  esses selos de certificação, que servem de referência ao consumidor, no entanto muitos vinhos são orgânicos, mas não tem o selo, pois o processo de certificação é lento e muitas vezes muito oneroso. Vinhos célebres como o Romanée-Conti, produzido na Borgonha, considerado o mais caros do mundo é orgânico. Outro belo exemplo são os vinhos de Miguel Torres, na Espanha e no Chile. No Brasil,  temos os vinhos do produtor Juan Carrau – Velho do Museu.

E os Biodinâmicos?
Os biodinâmicos são mais complexos, não são apenas orgânicos, mas também vinhos produzidos dentro de normas específicas tanto em relação à vinicultura, como em relação à vinificação e ainda uma série de normas com relação à conservação, ao engarrafamento, às rolhas e até à limpeza da cantina.
O biodinamismo tem origem nas teorias da filosofia antroposófica de Rudolf Steiner (1861-1925).  Além de uma teoria e prática, o biodinamismo é também um estilo de vida da maioria dos viticultores que a seguem a agricultura biodinâmica, que além de não utilizarem química no plantio, respeitam o dentre outras características o calendário lunar.
Assim como no caso dos orgânicos os biodinâmicos também recebem um selo de certificação.
Completam ainda esse quadro os vinhos naturais, que poderíamos chamar de selvagens, pois são resultado explicito da terra e de sua fermentação sem nenhum manejo (muito mais difícil de ser produzido). Em suma, vinhos dessas famílias podem realmente trazer benefícios à saúde e naturalmente em nada interferir em seu sabor.
Dica de consumo.
Provei essa semana um orgânico sensacional, trata-se do Cotes du Rhone Chèvrefeuilles Rouge AOC 2009  - Domaine de la Réméjeanne (corte -40 % grenache, 30 % syrah, 10 % carignan, 10% CInsault e 10% Counoise), importado pela De La Croix. Um vinho de coloração jovial, um vermelho vivo framboesa, com aromas de frutas silvestres, realmente interessante, lembrando o novo mundo no velho mundo. Realmente surpreendente e é no paladar que ele se sobressai, equilibrado, jovial, porém com taninos firmes e longos, bom para beber sozinho ou acompanhando uma carne grelhada, como o bife de chorizo argentino.

(artigo publicado no último sábado no Jornal A Tribuna de Vitória) 
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