terça-feira, 26 de abril de 2011

O Vinho no Brasil

 Após refletir um pouco sobre o debate promovido nesta manhã, algo que realmente esperava como uma possibilidade de alento ao nosso mercado, me peguei pensando no tanto que ainda precisamos avançar.

A iniciativa do Didú Russo é exemplar e fico muito feliz em ter a oportunidade de partilhar esse momento do vinho no Brasil, porém o que disse o Ciro Lilla sobre o selo fiscal martelou minha cabeça: "uma medida infantil". Parece que nosso mercado ainda é pueril, não inocente, mas
adolescente, dividido por guetos, tribos, cada um buscando uma identidade e quem sabe atravessar essa fase e tornar-se maduro.

A discussão de hoje me mostra um panorama de como tratamos esse mercado que poderia crescer mais de 10 vezes em pouquíssimo tempo, saindo das 115 milhões de garrafas para mais de 1,5 bilhão, apenas trabalhando um hábito de consumo (beber vinho de forma saudável todos os dias, pelo público que já bebe vinho com alguma regularidade). Esse dado me fez lembrar de um artigo que escrevi nesse blog em setembro de 2008 (veja) e que realmente ainda não edificamos marca, simplesmente descobrimos.
Nosso mercado, de baixo nível profissional, não trabalha na direção do consumo e parece não conseguir equalizar o óbvio, dirigir esforços para aumentar o consumo através dos hábitos de consumo.

Enquanto estivermos discutindo a carga tributária, ou o selo, ou qualquer solução "tabajara" (seus problemas acabaram), outros produtos (como a cerveja, que tem cerca de 60% de carga tributária) estão bem definindo seu foco, mercado e forma de ação. Mais do que isso, esses segmentos trabalham de forma organizada, conhecem seus custos e fazem investimentos pesados em ponto de venda, educação do produto (todo mundo sabe o que é lúpulo, fermentação...) e mídia, levam tudo na ponta do lápis, mas fundamentalmente investem e profissionalizam seus Recursos Humanos. 

Não adianta departamentalizar empresas, enviar para visitar produtor no exterior, pagar comissões altas se o trabalho internamente é desorganizado, se a estrutura não está preparada para atender a demanda, se seus funcionários não tem a mínima ideia de onde vem e para onde vão seus produtos.
Passei por muitas empresas de vinho que muitos funcionários sequer bebiam vinho nas confraternizações. Como buscamos sucesso se nem nossos próprios colaboradores acreditam em nossas marcas, nem no potencial de saúde (marca mais gritante para elevar o consumo em nosso país)?

Temos muito o que fazer, se realmente estamos dispostos em realmente discutir esse tema precisamos de mais pessoas envolvidas, a discussão não deveria ser elitizada, deveria ter outros envolvidos, pessoal de campo, gente que vivencia o dia-a-dia, consumidores, leitores enfim como dizia o bordão: "GENTE QUE FAZ".
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