quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Vinho e Saúde

Os estudos relacionados aos benefícios do consumo moderado do vinho à saúde humana não param de crescer. Todos parecem ser unânimes em afirmar o seguinte: o vinho é a bebida alcoólica mais eficaz na redução dos riscos de mortalidade por doenças do coração. O interesse em comprovar tal afirmação faz com que os trabalhos publicados na literatura internacional sobre esse tema cresçam a cada ano. Vejamos a evolução:

1970 - 1974: 2%

1975 - 1989: 28%

1990 - 1994: 31%

1995 - 1999: 39%

E têm brasileiros nisso! Os doutores André A. Souto, Ivana B. Mânica Da Cruz, Manuel Carneiro, Marcus Seferin e Emílio H. Moriguchi da Faculdade de Química e do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS de Porto Alegre apresentaram um trabalho chamado Benefícios do Vinho à Saúde no IXº Congresso Brasileiro de Viticultura e Enologia.

Trata-se de um resumo dos trabalhos publicados em nível mundial. Destacam-se neste trabalho o fato de que as investigações mais recentes comprovam os benefícios do consumo moderado do vinho no que diz respeito às doenças cardiovasculares, à quimioprevenção de vários tipos de câncer e mesmo a doenças hepáticas e senilidade.

Descrevem ainda os seguintes resultados: Estudos epidemiológicos: Na Finlândia, um estudo realizado desde 1992 a 1998 comprovou que o consumo moderado de vinho parece estar relacionado com uma boa expectativa de vida. Na Dinamarca se chegou a mesma conclusão através de um estudo envolvendo 49.763 homens e mulheres na faixa etária entre 50 e 64 anos. Ainda na Dinamarca, um estudo realizado durante 16 anos, envolvendo 13.329 homens e mulheres na faixa etária de 45 a 58 anos, sugere que o vinho contém compostos aos quais se podem atribuir efeitos protetores contra o derrame cerebral.

Recente estudo feito em Melbourne, na Austrália, demonstrou o mesmo efeito. A França também contribuiu com trabalhos. Em 1997, demonstrou a associação entre consumo moderado e freqüente de vinho e a prevenção de doenças neurodegenerativas, como a doença de Ahlzeimer e a demência.

Finalmente em 1998, o Dr. Renaud realizou um estudo demonstrando os efeitos na prevenção de diversos tipos de câncer. Se a estes trabalhos somarmos os "Segredos da dieta mediterrânea" e o "Paradoxo francês", que comprovaram a influência do consumo moderado de vinho, especialmente tinto, na formação do bom colesterol (HDL) e a inibição da formação do colesterol ruim (LDL), ficam evidentes as razões da longevidade de determinadas comunidades.

As características de determinadas bebidas e alimentos ingeridos podem resultar em benefícios da qualidade de vida das pessoas.

As substâncias fenólicas são as responsáveis pelos benefícios.


As substâncias fenólicas que contribuem nas propriedades sensoriais do vinho são compostas, entre outras, por polifenóis e flavonóides. A esses lhes é atribuída a maior parte dos efeitos benéficos do consumo de vinho à saúde. Mais especificamente é o polifenol chamado de transresveratrol, presente nas cascas das uvas tintas, o que mais efeitos possui nestes benefícios, especialmente no que diz respeito à formação do colesterol bom.

O que mais tem despertado interesse no estudo dos polifenóis são suas propriedades antioxidantes. Através do processo de inibição da oxidação das lipoproteínas de baixa densidade, se limita a formação do LDL,ou colesterol ruim.

Recentemente foi demonstrado que o resveratrol é estrogênico, e por isso poderia substituir o estradiol ao manter a proliferação de certas células do câncer de mama que necessitam estrogênio para crescer. O Prof. John Pezzuto, da Universidade de Illinois em Chicago, pesquisou mais profundamente o resveratrol e, em janeiro de 1997, sua equipe publicou um trabalho sobre suas propriedades diferenciadas, como antioxidante moderado bloqueando reações com radicais livres, que são biológicamente perigosas e relacionadas a diversos tipos de câncer. Demonstrou ainda que o resveratrol é um potente anti-inflamatório e por isso seu efeito anticancerígeno, permitindo ao organismo bloquear a produção de certas substâncias químicas, conhecidas como prosta-glandinas, que têm sido relacionadas a transformações de lesões pré-cancerosas em lesões malignas.

Recentemente um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Milão, na Itália, contesta a velha crença de que o simples consumo continuado de bebidas alcoólicas provoca degeneração neurocelular. Não concordam quando se trata de consumo moderado de vinho, já que o polifenol transresveratrol pode ter um efeito protetor do sistema nervoso, pela diminuição do stress oxidativo de células neuronais. 

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