sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Vinhos de autor – Itália /Brasil

Quando conheci os vinhos da vinícola Lídio Carraro fiquei impressionado pela qualidade dos vinhos, ainda mais em se tratando de vinhos nacionais. 
É bem comum que cite aqui os produtos dessa vinícola e fico muito feliz de ter em meu histórico que foram os vinhos servidos no lançamento do meu livro “Descomplicando o Vinho”.
Fico feliz porque eles escolheram participar, não os procurei foi um encontro do “destino”.
Sim, o destino, acredito que trabalhamos muito por nossas carreiras, mas se aquilo que fazemos não está em nosso “DNA” seremos, no máximo, tecnicamente bons, os geniais são aqueles que exploram seu destino, traduzem suas habilidades e reinventam a técnica, contribuem com algo que beira a magia.
Os vinhos da Lídio preservam o terroir brasileiro, não passam em madeira (acho incrível, pois sempre penso que a madeira deve ajudar o vinho evoluir e não criar elementos ou dar a falsa sensação de qualidade) e apresentam resultados típicos, esperados e de altíssima qualidade, mesmo nos vinhos mais simples.  Foi curioso beber um Nebbiolo (uva típica do Piemonte-Itália) feito no Brasil, ou até um Teroldego, um Tempranillo e pensei como é possível produzir com essa qualidade em solo que não possui condições tão favoráveis quanto os europeus.
A resposta estava por trás do rótulo. Um belo exemplo de um grande autor de vinhos, melhor dizendo uma grande autora: Monica Rossetti, a assinatura por detrás da marca.

A enóloga, brasileira de alma e italiana de sangue, sempre teve a convicção de viver no vinho e aos 15 anos dava seus primeiros passos. Profissionalmente começou na escola francesa da Chandon do Brasil, passando tempos mais tarde a assumir o posto de enóloga principal na Lidio Carraro. Hoje após anos de dedicação e muitas renuncias, essa brasileira reconhecida internacionalmente por projetos em diferentes países europeus, mas muitos concentrados na Itália, como a da badalada vinícola Ferrari Spumanti deixa claro que os passos iniciais no Brasil, a fez ter uma visão maior sobre o vinho, não só a paixão, mas a constante busca por soluções naturais. Essas qualidades aliadas à vocação indiscutível a faz criar autorias.
O bom dessa história é que podemos beber seus vinhos aqui, sejam eles brasileiros ou italianos.
Um trecho de seu relato na revista “Bom Vivant”:
"Desta experiência nasceu a minha convicção que não existe uma única forma de elaborar vinhos. Existem princípios e formas de otimizar resultados, mas nenhuma regra fixa, principalmente se consideradas as tantas tipologias de vinho que existem pelo mundo. A verdade, porém, é que os grandes vinhos nascem em diferentes contextos e de diferentes formas, mas sempre traduzem a terra, a sua história e as mãos de quem os elabora. Por isso, além de conhecimento e tecnologia, é preciso ter sensibilidade para trabalhar com a natureza e entender o seu potencial, e, acima de tudo, ser apaixonado por aquilo que se faz."
Monica Rossetti
A dica vai para seu primeiro grande vinho, na época chamado de Assemblage, hoje Quorum:
A Lídio Carraro o apresenta como o estilo da vinícola por excelência. Trata-se de um corte de 35% Merlot, 30% Cabernet Sauvignon, 20% Tannat e 15% Cabernet Franc. Um belo vinho de um rubi intenso, rica profusão de aromas, grande complexidade notas de cereja, framboesa, romã, café e chocolate.  Fino e elegante em seus taninos longos. Um vinho de caráter, com a assinatura da poesia em forma líquida. Por cerca de R$ 130
Chamamos vinho de autor, mas poderíamos chamar de vinho da sabedoria, pois esses grandes enólogos simplesmente acompanham o movimento da natureza e conduzem seu resultado na garrafa.


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