Cores e cores: tinto, branco, rosé, ou azul e laranja?

Cores imagens, cores...as cores e mais amores, são trechos da música de Marisa Monte “Perdão Você”, e em outro trecho ela canta:  “Sei que a tendência; Anda nas frestas; No decidir da mente”.

Quando falamos classicamente do vinho, dizemos que podem ser tintos, brancos e rosados, tranquilos, espumantes ou doces, no entanto, se é tendência, moda, inovação ou invenção,  o fato é que estamos nos deparando cada vez mais com novidades, muitas vezes pitorescas e por vezes novidades que nem são tão novas. 

Já abordamos aqui os vinhos servidos com gelo e também um espumante americano chamado Blue, que leva mirtilo para alcançar essa cor. Pois é, os espanhóis também entraram nessa “onda” de vinho azul, a diferença é que são vinhos “tranquilos” produzidos a partir de brancos com a coloração adquirida a partir das cascas de uvas tintas, vendidos por cerca de €$10,00. Duas empresas fazem: a Bodega Santa Margarita que apresenta seu Pasion Blue (feito a partir de Chardonnay e Clary) e também o engarrafa como Azul Mediterrâneo para o Restaurante Casa Vital (um restaurante espanhol com cozinha da Noruega), é leve e aromático e na boca ligeiramente doce (nota do produtor, uma vez que o produto ainda não está disponível no Brasil). A outra empresa foi a pioneira, seus proprietários se colocam como inovadores e tem o objetivo de criar novidades, trata-se da  Gik, de Biscaya e apresenta seu Gik Life Blue: seu rótulo tem um homem com cara de cachorro segurando duas taças. É um produto conceito com certeza, e que tem um resultado semelhante ao anterior, bastante alegre, álcool em 11,5% e ligeiramente doce.  Se isso vira moda? Não sei.


Há também uma febre chamada “vinhos laranjas”, essa já é uma novidade não tão nova, pelo contrário, criada na, que conhecemos hoje, como República da Georgia há cerca de 5 mil anos, trata-se de um vinho branco vinificado como um tinto, ou seja as cascas permanecem junto a mosto transferindo cor e taninos, além do processo se realizar em ânforas de barro (na forma ancestral eram tapadas com cera de abelha). Atualmente o norte da Itália (no Friulli) é responsável pela disseminação deste produto, que eles preferem chamar de vinho “Âmbar”, produzido principalmente com a uva Ribolla Giala. Podemos encontrar alguns rótulos na importadora Decanter (por valores de R$ 120 a R$650). Virou febre, pois muitos sommeliers entendem que esse vinho pode ser harmonizado com uma gama maior de pratos, desde as carnes brancas até as caças.

Para encerrar esse capitulo das paletas de cores, ainda temos o “vin jaune” ou vinho amarelo, alguns o chamam erroneamente de vinho de jerez francês, porém apesar de terem algumas semelhanças são vinhos diferentes. A semelhança fica pela oxidação positiva, mas para aí. O Vinho amarelo feito no Jura (leste da França) a partir da uva Savagnin e com um processo único onde o vinho é estagiado em barricas por seis anos e é propositalmente deixada uma parte da barrica sem vinho para que as leveduras continuem em contato com o vinho (criando a famosa oxidação positiva). O resultado é um vinho muito prazeroso, com aromas e sabores de frutas secas, cogumelos, mel e toffee.  A curiosidade é que esses vinhos que podem ser guardados por um século, é, normalmente, comercializado em garrafas de tamanho especial chamadas “clavelin”, com 620 ml (exatamente a quantidade restante de cada litro de vinho deixado na barrica para fazer o Vin Jaune, isso após evaporação durante os seis anos de espera).

Postar um comentário

0 Comentários