sexta-feira, 23 de abril de 2010

Brasil, escolha e o prazer de beber um vinho


A questão de algumas semanas fiquei surpreso com uma informação impressionante (não oficial) de que o Brasil figura como o segundo pais em quantidade de rótulos, importados e nacionais, ficando logo atrás da Inglaterra, com cerca de 70 mil , isso mesmo setenta mil rótulos estão à disposição do consumidor brasileiro - (ainda acredito que deve ser em torno de 40 mil, mesmo assim é um número impressionante).
Imagine que são mais de mil importadores e algumas centenas de produtores nacionais, isso nos mostra que vivemos uma “vindemia”, uma febre de vinhos que
invade esse país que já foi frequentemente chamado de “tupiniquim”.

Mesmo tupiniquim parece que vivemos um período maravilhoso, podemos dizer que realmente o Brasil é uma terra abençoada ainda se levarmos a risca a afirmação de BENJAMIN FRANKLIN,: "O vinho é prova constante de que Deus nos ama e nos deseja ver felizes" , por outro lado podemos ter um consumidor perdido e sem bússola nesse mar de líquido inebriante. Bom, prefiro ser um naufrago assim do que só com o saudoso Liebfreumich ou os varietais chilenos de quase 30 anos atrás.

É verdade que o Brasil evolui muito nessas décadas, estamos nos tornando um mercado considerável nessa área, no entanto os esforços foram dirigidos para a comercialização, uma vez que somos promissores, temos características que atraem os produtores, no entanto ainda não vislumbramos uma mecânica que seja capaz de estabelecer com o consumidor uma equação que facilite sua vida na hora da compra.

Muitos consumidores chegam diante de uma fileira de vinhos sem muitas vezes saber por onde começar sua escolha, porém sabemos que esse comportamento se repete em diversas partes do mundo, inclusive em países como Itália e França, a diferença reside que lá eles tem uma variedade enorme, mas que uma compra ruim não dói de forma tão penoso como nós, no bolso.

Você deve ser perguntar, mas esse autor já disse que o preço é um diferencial na hora da compra, e continuo afirmando, mas como você separa 30 vinhos dentro da mesma faixa de preços?

Essa equação é que me refiro ser difícil. Não preparamos o mercado, o fornecedor, o agente final para estabelecê-la e assim nos deparamos com uma série de equívocos que prejudicam a compra. Há uma enxurrada de “sommeliers” que mal sabem localizar a França ou Itália e muito menos pronunciar corretamente o nome das uvas, loja que lotam suas prateleiras com vinhos sem procedência, buscando apenas oportunidades comerciais - vendem preço apenas -  e ainda temos os supermercados fazendo importações diretas no meio de tantos outros produtos com características completamente diferentes da importação de vinhos e que computam seus preços como qualquer outro produto sem se preocuparem com a freqüência ou continuidade de disponibilização desses produtos para o consumidor.
Tenho ouvido de muitos lojistas que opção deles é por marcas conhecidas, assim não tem mais nenhum trabalho para explicar sobre uma nova marca, um novo produtor, um novo conceito, ou seja privam o consumidor de informação, da possibilidade de conhecer um produto diferente e frequentemente acertar o estilo mais adequado daquela pessoa que busca o prazer de beber um vinho que lhe agrada.

Infelizmente ainda são poucos os estabelecimentos capacitados para auxiliar na escolha e poucas propostas de instrução ao consumidor que realmente se preocupem em dar um conhecimento descomplicado para decidirmos. Acredito que se tivéssemos mais meios de comunicação (de massa) envolvidos com esse tema teriamos uma real possibilidade de aproveitarmos mais e mais desse movimento que, enquanto, só ocorre dentro das importadoras e alguns pontos de vendas entusiastas e verdadeiramente amigos do vinho.

Minha dica é procurar os estabelecimentos que se mostram verdadeiramente dentro dessa tendência. A dica: procure os locais que preferem vinhos pouco conhecidos, pouco comerciais, que muitas vezes nem tem em suas cartas de vinhos consagrados e facilmente encontrados em qualquer ponto de vendas. É bem provável que eles estejam capacitados em orientar sua compra no sentido do seu prazer e te dará a informação necessária para diferenciar os estilos de vinhos na mesma faixa de preços.

Por fim, vale sempre a regra de ouro, na dúvida opte pelo prazer de beber um vinho que te faça feliz!
Fotos: Internet (montagem Santucci)
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